quinta-feira, 24 de março de 2011

Cycle Chic


Inspirado pela dica da leitora Mariane, nos comentários do post anterior, resolvi dedicar um post ao movimento que chamam lá fora de Cycle Chic.
Segundo a Wikipedia (definição em inglês), Cycle ChicBicycle Chic ou Bike Chic é a cultura de pedalar com roupas “fashion”, com estilo ao se vestir.
No Brasil, houve nas últimas décadas a associação da bicicleta com lazer e esporte, relegando-a como meio de transporte apenas às camadas sociais mais baixas.
Site da fabricante Sundown (de cima), com foco exclusivamente esportivo, em contraponto ao da Dahon, que aposta no uso cotidiano da bicicleta.
A sociedade se acostumou a ver a bicicleta como brinquedo ou como falta de opção para quem ainda não pôde comprar um carro, graças à cultura do automóvel instalada no Brasil a partir das políticas centradas no automóvel de Juscelino Kubitschek, Prestes Maia, Paulo Maluf e outros tantos.
Parte da culpa disso também recai sobre Caloi, Monark e mais recentemente a Sundown, que dos anos 80 para cá reforçaram o conceito de bicicleta apenas como lazer, esquecendo que ela também é um meio de transporte e que metade das vendas de bicicletas se destina a esse fim. Nem mesmo vindo alguém de fora para ensinar (como a Dahon, que mal chegou e já está fazendo bastante sucesso apostando exclusivamente no uso urbano da bicicleta), as grandes fábricas aprenderam. Quem sabe quando a Dahon tiver engolido uma bela fatia do mercado eles acordem…
Nos outros países, sobretudo na Europa, onde a bicicleta sempre foi principalmente um meio de transporte, as pessoas têm outra visão de como utilizá-la. Aqui, quando alguém vai elegante a algum evento, quer ir de carro, seja ele próprio, táxi, ou carona. Lá, a bicicleta também serve para isso. Afinal, há onde estacionar, as bicicletas têm algumas pequenas diferenças para não estragar a roupa (adaptações que podemos fazer nas nossas, como protetor de corrente e guarda-saias), possuem bagageiro, as trancas em U são vendidas em qualquer loja e o ciclista é respeitado nas ruas e nos estabelecimentos.
As bicicletas são usadas não só para ir ao trabalho e à escola, mas para ir ao mercado, ao cinema, à casa dos amigos e até às festas. Enquanto isso, aqui o chique é ficar preso no trânsito mesmo no final de semana, levar meia hora para andar os últimos 500 metros do local do show e pagar R$ 20 de estacionamento ou R$ 10 para um flanelinha… E não me venham com aquelas velhas falácias de que não dá apra andar de bicicleta aqui por causa das subidas ou do calor, porque isso é desculpa que se dá para si mesmo: as subidas você contorna ou desce e empurra a bicicleta devagar; quanto ao calor, você pode pedalar mais devagar e suar o mesmo que se estivesse andando (e ainda ser refrescado pelo vento), ou pode levar outra roupa e se limpar e se trocar no destino ou próximo a ele.
Nosso consolo é que aos poucos, isso vai mudando por aqui também. A mudança já começou e chegou até à mídia tradicional (TV,jornais e revistas), que sempre foi totalmente favorável ao automóvel, mesmo em detrimento do transporte coletivo, já que a maior parte dos anúncios vem de montadoras, concessionárias e outras empresas que lucram com produtos e serviços relacionados ao automóvel. Não há mais como continuar na contramão do mundo: as coisas vão melhorar cada vez mais para os ciclistas urbanos, haverá cada vez mais infra-estrutura e respeito nas ruas.

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