sábado, 2 de abril de 2011

olhem isso e fiquem atentas e atentos...

Carro na calçada? Chame a CET

No Restaurante Lilló (R. Borges Lagoa, 1321), cobram para estacionar seu carro na calçada (foto de 03/set/08, às 20h26)
No Restaurante Lilló, na Vila Mariana, cobram dos clientes para estacionar os carros sobre a calçada.
Foto de 03/09/2008.
Semana passada eu estava voltando para casa aqui em São Paulo (de bike, claro), quando vejo na R. Borges Lagoa, entre a Av. Ibirapuera e a Ascendino Reis, um carro atravessado na calçada, cobrindo-a totalmente. O pior é que naquela região há vários hospitais, incluindo um da AACD, ou seja: muitos pedestres com deficiência de mobilidade. Absurdo. Sem noção total.
Um pouco adiante, sobre a ponte que fica entre as duas pistas da Ascendino Reis (sobre a Rubem Berta), havia um caminhão da CET, desses que rebocam quem estaciona em local proibido. “Oba”.
Subi até lá. Havia dois agentes ali, um dentro do caminhão e outro do lado de fora, falando no rádio. Esperei esse terminar a conversa e dei um boa noite com um sorriso. A partir daí seguiu-se uma conversa interessante, que resumo abaixo. O agente da CET (porque chamar de marronzinho é sacanagem) era bastante simpático e solícito, entendeu bem o que eu quis dizer e foi bastante receptivo.
- Boa noite, tudo bom?
- Boa noite!
- Olha, ali embaixo, tá vendo ali, atrás daquele poste? Tem um carro estacionado de atravessado na calçada, pegando ela toda. E o pior de tudo é que sempre passa gente em cadeira de rodas por ali.
- Ah, to vendo. Já vou descer lá. Valeu! (não entendi se ele ia lá só dar uma multa ou levar o carro embora, mas pareceu decidido a fazer alguma coisa)
- Aproveitando, deixa eu te falar mais uma coisa… Tá vendo aquele restaurante ali, o Lilló? Se você passar por aqui umas 20h30, 21h, vai ver sempre um monte de carros de clientes que eles estacionam na calçada na maior cara de pau.
- Ah, eu já multei bastante ali, já até levei carro embora. E acho que a gente tem que fazer isso mesmo, porque por mais que o dono do carro não seja culpado, pelo menos ele nunca mais volta no restaurante, que é isso que um restaurante que faz isso merece.
- É verdade. E o pior é que eles cobram mais de dez paus pra parar o carro da pessoa em cima da calçada.
- Pois é, maior sacanagem. Mas sabe o que você faz quando ver isso? Dá uma ligadinha no 1188 que a gente vem na hora e pega.
- Eu costumo cadastrar no site do SAC da Prefeitura, que tem um formulário pra preencher sobre isso…
- Lá é legal você cadastrar pra ficar histórico, aí eles agendam uma ação e tal… Mas se ligar no 1188 resolve na hora, porque eles passam pelo rádio e a gente tem meia hora pra atender a ocorrência.
- É que eu desanimei de fazer isso porque uma vez tinha um caminhão atravessado no canteiro central da Sumaré, cobrindo a ciclovia e as duas calçadas, eu liguei no 156 na época e me disseram que não podiam fazer nada. Depois disso eu não liguei mais.
- Agora mudou, antes era uma central da prefeitura, aí era um pouco mais burocrático, caía num atendimento centralizado. Agora é direto com a gente e eles passam por rádio, por celular, e a gente tem meia hora pra atender. Aqui nessa região da Vila Mariana, pelo menos, funciona bem.
- Ah, bom saber disso. Na próxima vez que eu vir, vou ligar então.
- Liga sim!
- Beleza, valeu! Boa noite e parabéns pelo trabalho!
- Obrigado, eu que agradeço a ajuda aí quando puder!
Não, o diálogo acima NÃO é uma obra de ficção. É o tipo de coisa que me faz pensar que a política carrocrata da companhia não representa necessariamente a opinião dos agentes. Pelo menos de alguns, como esse com quem conversei nesse dia.
Vamos fazer o seguinte? Quando virmos um carro estacionado sobre a calçada, principalmente em porta de restaurante (como esse Lilló, que faz isso há anos impunemente), a gente liga pra CET, no telefone 1188. Combinado?
Peço que quem fizer isso conte aqui, em um comentário nesse post, o resultado. Funcionou? Não veio ninguém? Os manobristas tiraram os carros rapidinho quando chegou a CET e ficou por isso mesmo? Ou você se sentiu realizado ao ver um caminhão levando um carro em cima? Conte pra nós.
Leitor: bicicleta na calçada deveria ser removida

O leitor Carlos Shigueru Akamatsu deixou um comentário no artigo “Carro na calçada? Chame a CET” sugerindo que bicicletas na calçada também deveriam ser removidas pelo órgão, pois atrapalham o fluxo de pedestres:
Olá, sempre tento usar o SAC da Prefeitura de São Paulo ( http://sac.prefeitura.sp.gov.br) para casos de ocorrência frequente, como caminhão de carga e descarga atrapalhando a avenida e visão de pontos de ônibus. Muitas vezes dá certo.
Tenho uma pergunta que é relacionado a estacionar carro na calçada.
Parar a bike no meio da calçada também deveria ser solicitado para CET remover, pois atrapalha a circulação de pedestres (CET/Circulação de pedestres). No google street view você vê muita bicicleta estacionada em postes de semáforo, indicação de rua, e até mesmo em ponto de ônibus (!) … claramente os ciclistas também tem que ter noção.
Calçada é para pedestres, embora muitos usem como ciclovia …
Carlos Shigueru Akamatsu
E atrapalha mesmo?
Carlos, entendo perfeitamente que bicicletas na calçada podem atrapalhar a circulação de pessoas. Já vi, por exemplo, uma bicicleta presa a um orelhão, de uma forma que dificultava bastante seu uso.
Mas veja bem: bicicletas PODEM atrapalhar a circulação, não significa que atrapalhem sempre. Aliás, na maioria das vezes NÃO atrapalham. Veja os exemplos abaixo:


Bicicleta presa em poste de sinalização. Foto: Luddista
Ao ser presa em um poste de sinalização, geralmente a bicicleta é colocadas na longitudinal, acompanhando o contorno do meio-fio, o que mantém livre a passagem de pedestres. Repare na foto: o ponto onde a bicicleta está presa não serviria mesmo para passagem de pedestres. A não ser que o objetivo seja atravessar a rua mas, nesse caso, o incômodo é mínimo, já que é possível andar um metro para o lado e atravessar normalmente.
Veja outro exemplo:

Bicicleta presa em poste. Foto: Luddista
Como na foto anterior, a bicicleta está presa em uma parte da calçada que já tem seu uso prejudicado pelo mobiliário urbano (nesse caso, o poste). Se a pessoa quiser passar entre os dois carros para atravessar a rua nesse local, terá que desviar da bicicleta, mas terá que desviar do carro também, que ocupa bem mais espaço que a bicicleta. E se os carros estacionados estiverem com os parachoques muito próximos, o pedestre pode ter que andar o comprimento de vários carros para conseguir chegar na via.
Outro exemplo:

Bicicletas presas a poste em frente a uma locadora. Foto: Luddista
As bicicletas dessa foto estão presas a um poste estreito, em frente a uma locadora de DVDs. Estão na área de estacionamento da locadora, ocupando alguns poucos centímetros do espaço que os carros usariam para estacionar, fora da área principal de circulação dos pedestres, que seria a entrada do estabelecimento.
Um último exemplo, um pouco diferente mas também muito comum:

Bicicletas presas em grade. Foto: Luddista
Se não me engano, essa foto foi tirada em uma estação de trem em Santo André (cidade vizinha a São Paulo). Muita gente vai pedalando até a estação para de lá pegar o trem. Veja que as bicicletas estão fora da ára de circulação de pessoas.
Por que as bicicletas são estacionadas assim?
Quando se precisa estacionar um automóvel, basta encostá-lo na via, próximo ao meio fio. Motos são colocadas a 90 graus, para que fiquem equilibradas e ocupem menos espaço.
Entretanto, não há como estacionar uma bicicleta dessa maneira:
  • A menos que ela tenha descanso (pezinho), não é possível deixá-la parada sozinha, em pé, sem estar apoiada em algum lugar.
  • Por ser leve, mesmo apoiada em um descanso ela pode cair com o simples deslocamento de ar dos carros que passam na rua. A minha já caiu assim, bateu o câmbio no chão e entortou a gancheira, que eu precisei trocar.
  • E, também por ser leve, se você a tranca apenas “nela mesma”, passando o cabo de aço pelas rodas e quadro mas sem prender a lugar nenhum, ela pode ser colocada em cima ou dentro de um carro grande e até carregada nas costas para algum lugar onde o cabo possa ser cortado com tranquilidade.
O que fazer?
Para não ter que apelar para postes de sinalização, grades e corrimões de escadas, é necessário encontrar algum lugar específico para estacionar a bicicleta. Ou seja, um bicicletário ou paraciclo. Em algumas cidades litorâneas isso é muito comum: em Ubatuba, por exemplo, até alguns restaurantes têm paraciclos na porta.
Na cidade de São Paulo, há uma lei municipal obrigando “terminais e estações de transferência do SITP, os edifícios públicos, as indústrias, escolas, centros de compras, condomínios, parques e outros locais de grande afluxo de pessoas” a ter local para estacionamento de bicicletas. Mesmo assim, raros são esses locais.

Paraciclos do Parque Mário Covas, na Av. Paulista, em São Paulo. Foto: Willian Cruz
Portanto, não havendo local específico para estacionar a bicicleta, ou você “dá um jeitinho” de parar dentro do estabelecimento, chora para algum dono de estacionamento fazer o favor de aceitar sua bicicleta ou prende em um poste. Ou vai para casa e volta de carro, já que automóvel pode parar em praticamente qualquer lugar e para a bicicleta dificultam tanto.
Como eu não vou deixar de usar a bicicleta por causa disso, não havendo alternativa paro em um poste mesmo, sem o menor constrangimento ou remorso, apenas tomando cuidado para não atrapalhar o fluxo de pedestres.
E sobre bicicletas nas calçadas…
Carlos comenta também que muita gente usa calçada como ciclovia. A respeito disso, leiam este texto, no qual abordo o assunto.
Qual sua opinião?
Você também acredita que bicicletas não devem ser presas aos postes e que atrapalham por estar na calçada? Ou concorda que, por não haver alternativa, elas podem ser presas ao mobiliário urbano? O município deveria instalar paraciclos nas ruas? Qual a alternativa? Dê sua opinião nos comentários e vamos evoluir esse assunto.

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