sábado, 2 de abril de 2011

Paris, feminismo e bicicletas


Mulheres no pedal
Ontem Renata Falzoni foi homenageada com uma medalha na Câmara dos Vereadores de São Paulo pela energia bonita e inspiradora com que luta há décadas para transformar São Paulo em uma cidade mais justa e humana. Apesar do pique invejável, Falzoni não tem mais 20 e poucos anos. Ela pedala e distribuí esperança por aí faz tempo e, por tudo que já fez, tem importância histórica para a  consolidação do cicloativismo em São Paulo.
Parabéns, mulher!
Sim, porque como mulher, Renata não enfrenta somente o asfalto seco e a fumaça áspera de uma cidade inóspita; não, encara também o machismo de uma sociedade que ainda vê a mulher como frágil e limitada. Não é a única. Pelo contrário, seja em coletivos como o das Pedalinas, seja em exemplos isolados, ela se multiplica na cidade, perturbando a ordem agressiva de disputa de espaços. São Paulo tem dezenas de Renatas hoje.
Um dia, se tudo der certo, a luta destas mulheres não fará mais sentido. O uso da bicicleta será tão corriqueiro que cicloativismo será uma palavra tão em voga quanto “brotinho”.
ParisEm algumas cidades, as bicicletas já foram incorporadas e compreendidas como uma opção inteligente, barata e sustentável de transporte. Paris, por exemplo, não só dispõe de uma ótima infraestrutura (que, como Falzoni disse na Câmara, não se resume à construção de ciclovias, mas sim de um planejamento cicloviário com compartilhamento das pistas e farta sinalização), como também de um sistema de transporte público baseado em bicicletas, oVélib. Homens e mulheres dividem o espaço sem tensão, sem cantadas idiotas, brigas corriqueiras e medo.
O papel das mulheres nas mudanças e na construção das mudanças foi decisivo, não só no trânsito. As bicicletas, aliás, também tiveram importância na consolidação do feminismo. Em Paris, a Bibliothèque Marguerite Duradorganizou uma exposição que mistura fotografia e protagonismo das mulheres. Acompanhado de uma namorada fotógrafa feminista, não consegui escapar de gastar algumas horas na exposição.
E aproveitei para pinçar para gente dois destaques que são retratos de uma luta ainda longe de terminar. São Renatas dos dois últimos séculos.
Néva à bicyclette – 1898
Néva, dont on ignore le patronyme, assure à La Fronde la rubrique sportive, essentiellement consacrée aux courses hippiques et cyclistes. La pratique de la bicyclette par les femmes suscita d´innombrables controverses et joua un rôle déterminant dans l´évolution du costume féminin. La femme à vélo est à la Belle Epoque Identifiée à la femme émancipée, avide de liberté et d´espace.
(traduzindo) Néva, cujo sobrenome é desconhecido, garantiu para “La Fronda” a sessão esportiva, essencialmente dedicada às corridas de cavalos e de ciclistas. A prática da bicicleta pelas mulheres levou a incontáveis controvérsias e teve papel determinante na evolução da moda feminina. A mulher na bicicleta durante a Belle Epoque era identificada como a mulher antecipada, ávida de liberdade e espaço.
Mademoiselle Treuté – 1927
Mademoiselle Treuté, gagnante du cross-country féminin à Clamart
La compétition sportive touche de plus en plus de jeunes filles dans les années 1920, malgré des préjugés persistants sur la fragilité feminine.
(traduzindo) Senhorita Treuté, ganhadora do cross-country feminino en Clamart
A competição desportiva envolve cada vez mais mulheres nos anos 1920, apesar dos prejuízos persistentes sobre a fragilidade feminina.
* As fotos e os textos emvermelho dessa página são reproduções de material exibido na exposição.

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